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A camuflagem de sintomas e o desafio do diagnóstico tardio de autismo em mulheres

Introdução O Transtorno do Espectro Autista (TEA) e o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) são condições que afetam milhões de pessoas em todo o mundo.
Por Saúde em dia
08/12/2025 12:00 - Atualizado há 2 horas




Introdução

O Transtorno do Espectro Autista (TEA) e o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) são condições que afetam milhões de pessoas em todo o mundo. No entanto, a prevalência desses distúrbios em mulheres, particularmente em adultos, é frequentemente subestimada e subdiagnosticada.

A realidade de muitas mulheres vivendo com TEA e TDAH é marcada por anos de desafios e confusão, sem uma compreensão clara de suas condições. Este artigo examina o impacto do diagnóstico tardio de autismo em mulheres e as implicações dessa questão para profissionais da saúde, educadores e a sociedade como um todo.

O Autismo em Mulheres e o Fenômeno de ‘Masking’

A diferença de gênero no diagnóstico de autismo é uma questão complexa. Uma das principais razões para o subdiagnóstico de autismo em mulheres é o fenômeno conhecido como ‘masking’ ou camuflagem. As meninas tendem a desenvolver estratégias desde cedo para se adaptar socialmente, o que pode mascarar os sintomas do autismo.

Esses comportamentos adaptativos, que podem incluir um excesso de timidez, introspecção ou sensibilidade, são frequentemente interpretados como traços de personalidade normais ou até mesmo como desinteresse ou preguiça. Como resultado, muitas mulheres com autismo passam anos sendo rotuladas como ‘ansiosas’, ‘preguiçosas’ ou ‘distraídas’ antes de receberem um diagnóstico correto.

O Impacto do Diagnóstico Tardio

O impacto de um diagnóstico tardio de autismo é profundo. A falta de compreensão sobre seu próprio funcionamento pode levar a frustrações nos estudos, nas relações e no trabalho. Muitas mulheres com autismo relatam sentimentos de inadequação, cansaço mental constante e baixa autoestima. A falta de diagnóstico apropriado também pode resultar em falta de acesso a intervenções e suporte adequados.

Aline Campos, uma mulher que recebeu um diagnóstico de autismo na idade adulta, descreve a experiência de finalmente entender sua condição como libertadora. Ela passou a maior parte de sua vida sentindo-se ‘diferente’ e lutando para se encaixar, sem entender por quê. O diagnóstico de autismo forneceu a ela a compreensão que faltava e a ajudou a perceber que não era ‘estranha’ ou ‘preguiçosa’, mas simplesmente tinha necessidades diferentes.

Reformulando a Abordagem à Saúde Mental das Mulheres

Para combater o subdiagnóstico de autismo em mulheres, é necessário haver uma mudança significativa na maneira como a saúde pública e a sociedade abordam o TEA e o TDAH em meninas e mulheres. A neuropsicopedagoga Silvia Kelly Bosi sugere três maneiras de tornar isso uma realidade.

Educar Profissionais de Saúde e Educação

Primeiro, é importante que os profissionais de saúde e educação sejam treinados para entender que os sintomas de autismo e TDAH podem se manifestar de maneira diferente em meninas e mulheres. Isso envolve o uso de protocolos atualizados e específicos que levem em conta o histórico de camuflagem e adaptação social.

Capacitação de Profissionais

Em segundo lugar, é essencial capacitar mais profissionais, incluindo professores, psicólogos, médicos e assistentes sociais, para que sejam capazes de identificar e apoiar meninas e mulheres com autismo. Isso é especialmente importante para aqueles com casos mais leves ou mascarados, que são frequentemente os mais negligenciados.

Garantir Acompanhamento e Suporte Apropriados

Por último, além de melhorar o diagnóstico, é fundamental garantir que as mulheres com autismo tenham acesso a acompanhamento psicológico, terapias específicas e suporte escolar e profissional adequados. O acolhimento e o apoio devem começar na infância e continuar ao longo da vida adulta.

Conclusão

O subdiagnóstico de autismo em mulheres tem implicações profundas tanto para as mulheres afetadas quanto para a sociedade como um todo. É essencial que o público e os profissionais de saúde se conscientizem sobre esta questão e trabalhem juntos para melhorar o diagnóstico e o suporte para mulheres com autismo.

Enquanto aguardamos por essas mudanças necessárias, é importante que todos – mães, filhas, educadoras e profissionais – continuem a levantar a questão e a lutar por um futuro em que todas as mulheres com autismo sejam vistas, ouvidas e entendidas.

Baseado em informações de fontes jornalísticas sobre autismo.


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