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Através da arte, mulher com autismo alavanca debate sobre diagnóstico tardio e experiências femininas

Uma Exposição de Arte Impulsionada Pela Vivência AutistaEm Jaciara, Mato Grosso, uma exposição de arte com um toque distinto está chamando a atenção.
Por Saúde em dia
16/12/2025 15:48 - Atualizado há 2 horas




Uma Exposição de Arte Impulsionada Pela Vivência Autista

Em Jaciara, Mato Grosso, uma exposição de arte com um toque distinto está chamando a atenção. Organizada e protagonizada por Daya Ananias, uma artista autista diagnosticada aos 32 anos, a exposição ‘Normal demais para ser autista, autista demais para ser normal’ está causando um grande impacto na cena cultural do estado. Esta exposição é a primeira em Mato Grosso concebida por uma pessoa autista e voltada para retratar o autismo sob a perspectiva feminina.

Aberta entre 4 e 15 de agosto no Instituto Vencer, a exposição convida o público a uma profunda imersão em experiências permeadas por sentimentos de inadequação, solidão e sobrecarga emocional. As palavras, imagens e texturas criadas por Daya não só narram a experiência do autismo de uma maneira íntima e poética, mas também desafiam a visão tradicional biomédica e infantilizada do autismo.

Perspectiva Feminina na Arte Autista

Esta exposição não é apenas sobre a arte de Daya, mas também sobre as experiências compartilhadas de outras mulheres autistas diagnosticadas tardiamente. Na verdade, ela reúne quatro depoimentos inéditos de mulheres que passaram a maior parte de suas vidas tentando se adequar às expectativas dos outros, apenas para descobrir mais tarde que havia um nome para o que estavam sentindo.

Daya explica que essas narrativas retratam as vivências comuns de mulheres que aprenderam a ocultar e encenar o que se espera delas. Mas isso vem com um alto custo emocional. Em suas palavras, ‘A gente aprende a mascarar, a performar o que esperam. Mas isso cobra um preço alto.’

A Arte de Daya e a Experiência Autista Feminina

Através de sua arte, Daya busca retratar um lado do autismo que muitas vezes é negligenciado ou mal interpretado nos diagnósticos tradicionais. Especialmente em mulheres, o sofrimento autista é frequentemente confundido com timidez, depressão ou ‘drama’. É aqui que a arte de Daya desempenha um papel crucial, pois ela ‘fala de um autismo que muitas vezes escapa dos diagnósticos tradicionais.’

A Arte como Agente de Mudança

Daya vê sua exposição como mais do que apenas um conjunto de obras de arte. Ela acredita que é um manifesto de identidade, uma chamada para ouvir e reconhecer as subjetividades que têm sido historicamente invisibilizadas. Para Daya, a intenção é criar uma cartografia emocional do autismo feminino, um tema que ainda é pouco explorado nas artes visuais brasileiras.

A exposição, realizada com o apoio da Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer de Mato Grosso (Secel-MT), da prefeitura de Jaciara e do Instituto Vencer, é um marco simbólico. É a primeira ação cultural no estado que coloca o autismo não como tema de observação, mas como uma voz ativa e criativa.

O Impacto da Exposição

Para Daya, o projeto é principalmente uma maneira de abrir caminho para outras meninas e mulheres que cresceram em silêncio, sentindo-se ‘demais’ ou ‘de menos’ para tudo. ‘A arte me salvou muitas vezes. Espero que essas obras possam ser um espelho, um abrigo’, diz ela.

O Autismo em Mato Grosso

De acordo com o Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Mato Grosso tem 41.247 pessoas que receberam o diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA). Desde 2019, o estado possui a Lei 10.997/2019, que criou a Carteira de Identificação do Autista (CIA), proporcionando mais dignidade e segurança para as pessoas com autismo e suas famílias, e facilitando o acesso prioritário a serviços públicos, especialmente na saúde e na mobilidade urbana.

A exposição de Daya é um exemplo poderoso de como a arte pode servir como uma ferramenta para iniciar conversas importantes e mudar percepções. Através de sua arte, Daya está não apenas expressando sua própria experiência, mas também abrindo um espaço para que outras mulheres autistas sejam ouvidas e compreendidas.

Baseado em informações de fontes jornalísticas sobre autismo.


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