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Desafios do autismo na vida adulta: a necessidade de acolhimento na sociedade brasileira

Introdução O Transtorno do Espectro Autista (TEA), embora seja comumente associado à infância, é uma condição que acompanha o indivíduo durante toda a sua vida.
Por Saúde em dia
16/12/2025 15:47 - Atualizado há 2 horas




Introdução

O Transtorno do Espectro Autista (TEA), embora seja comumente associado à infância, é uma condição que acompanha o indivíduo durante toda a sua vida. No Brasil, de acordo com o Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), existem mais de 2,4 milhões de pessoas diagnosticadas com TEA. A maior parte desses diagnósticos ocorre na faixa etária entre 5 e 9 anos, com uma incidência de 2,6%. Em contraste, apenas 0,9% dos diagnósticos são feitos na faixa etária a partir dos 25 anos.

Essa disparidade nos diagnósticos sugere que muitos adultos com TEA não recebem o diagnóstico e o apoio adequados. Este artigo discute as consequências de uma sociedade que não acolhe adequadamente os autistas adultos, bem como a importância de reconhecer e respeitar a identidade autista.

O Dia do Orgulho Autista

No dia 18 de junho, a comunidade autista ao redor do mundo celebra o Dia do Orgulho Autista. Esta data foi estabelecida há 20 anos pelo movimento Aspies For Freedom, composto por pessoas autistas do Reino Unido. A comemoração visa sensibilizar a sociedade sobre a importância da identidade autista e reforçar que o autismo não é uma doença.

Diferente do Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo, comemorado em 2 de abril, o Dia do Orgulho Autista destaca não apenas a inclusão, mas o potencial das pessoas autistas para levar uma vida plena e produtiva em diversos campos do conhecimento, por meio de suas habilidades e talentos.

O Impacto do Diagnóstico Tardio

Receber um diagnóstico de autismo na fase adulta pode ser uma experiência mista. Para muitos, é um alívio finalmente entender a própria identidade, especialmente após anos de sensação de deslocamento. No entanto, o diagnóstico tardio também pode trazer uma série de desafios.

Por exemplo, um diagnóstico errôneo por um profissional de saúde pode ter um impacto profundo na qualidade de vida do indivíduo. Após o diagnóstico, o processo de autoaceitação e superação dos traumas causados pode ser difícil e, muitas vezes, o indivíduo tem que lidar com o capacitismo e a falta de acolhimento dentro da própria comunidade autista.

Autismo na Vida Adulta

O autismo não desaparece quando se chega à vida adulta, principalmente para pessoas com nível de suporte 1. Ter um menor nível de suporte não significa ausência de desafios. Pelo contrário, pode haver obstáculos significativos para concluir uma graduação, acessar o mercado de trabalho e receber atendimento médico adequado.

Além disso, é comum que os adultos autistas enfrentem o capacitismo dentro da própria comunidade autista, muitas vezes liderada por pais e mães de autistas. Este capacitismo pode se manifestar de várias formas, como a invalidação do diagnóstico de adultos autistas.

Capacitismo e a Narrativa do ‘Anjo Azul’

Um exemplo de capacitismo é a expressão ‘anjo azul’, que é frequentemente usada para se referir a pessoas autistas. Embora possa parecer inofensiva, essa expressão é problemática porque reforça uma visão distorcida do autismo. Ela perpetua a ideia de que as pessoas autistas são eternamente infantis, puras, ingênuas e assexuadas.

Essa narrativa é falsa e prejudicial, pois contribui para a exclusão de adultos autistas, especialmente aqueles com suporte 1, dos seus direitos básicos. Alegar defender a inclusão, enquanto na prática se transforma o autismo em uma estratégia de marketing para fins lucrativos, é incoerente e prejudica a luta real por dignidade e qualidade de vida da população autista.

Legislação e Ações Concretas

Na última quinta-feira (26), a Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei nº 3.391/20, de autoria do senador Romário (Podemos-RJ), que institui o Dia Nacional do Orgulho Autista no calendário oficial do Brasil. O objetivo da proposta é promover a conscientização sobre o autismo e valorizar as diferenças dentro da neurodiversidade.

Apesar desses avanços legislativos, é crucial que o Estado brasileiro desenvolva ações concretas para acolher os autistas adultos. Mais do que criar leis com apelo midiático, a implementação efetiva dessas leis é essencial para transformar a realidade dos autistas adultos.

Com o seu jeito único de ver o mundo, os autistas podem contribuir significativamente para o crescimento e o bem-estar do país. Assim, é nosso dever como sociedade garantir que eles recebam o apoio e o respeito que merecem.

Baseado em informações de fontes jornalísticas sobre autismo.


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