O transtorno do espectro autista (TEA) é uma condição do neurodesenvolvimento que pode influenciar a forma como a pessoa percebe, processa e responde ao ambiente. Entre as experiências que podem aparecer em alguns casos estão a desrealização e a despersonalização, que costumam ser descritas como sensações de estranhamento em relação ao mundo ou a si mesmo.
Essas vivências não são, em geral, os sinais mais conhecidos do autismo e não devem ser confundidas com diagnóstico por conta própria. Ainda assim, entender como elas podem surgir ajuda a reconhecer sofrimento, buscar apoio e oferecer um cuidado mais adequado.
O que é desrealização?
A desrealização é uma sensação de que o ambiente ficou estranho, artificial, distante ou “irreal”. A pessoa pode perceber que está em um lugar familiar, mas sentir como se aquilo não estivesse plenamente conectado à realidade naquele momento.
Esse tipo de experiência pode ocorrer em diferentes contextos e não é exclusivo do TEA. Em pessoas autistas, pode aparecer especialmente em situações de estresse, ansiedade, sobrecarga sensorial ou exaustão emocional.
Como isso pode se relacionar com o autismo
No autismo, a forma de perceber sons, luzes, cheiros, movimentos e interações sociais pode ser diferente. Quando o ambiente está intenso demais ou difícil de processar, algumas pessoas relatam sensação de afastamento, confusão ou desconexão com o que está ao redor.
Também é importante considerar que desafios na comunicação social e na adaptação a mudanças podem aumentar o nível de tensão no dia a dia. Em alguns casos, essa combinação pode estar associada a experiências de desrealização, ainda que isso não faça parte dos critérios centrais do TEA no DSM-5.
E a despersonalização?
A despersonalização é parecida, mas diz respeito ao próprio corpo, pensamentos ou emoções. A pessoa pode sentir como se estivesse observando a si mesma de fora, ou como se seus sentimentos estivessem “distantes”.
Assim como a desrealização, essa vivência não define o autismo, mas pode coexistir com ele. Em especial, pode ser mais provável quando há ansiedade, sobrecarga sensorial, cansaço intenso ou outras dificuldades emocionais associadas.
Sinais que merecem atenção
Algumas pessoas descrevem a desrealização e a despersonalização com frases como:
- “Parece que o mundo não está real”;
- “Tudo está estranho, como se estivesse em sonho”;
- “Estou me vendo de fora”;
- “Não consigo me sentir presente no momento”;
- “Meu corpo ou minhas emoções parecem desligados”.
Se essas sensações forem frequentes, intensas ou estiverem causando sofrimento, é importante procurar avaliação com profissionais de saúde, para entender o que está acontecendo e diferenciar esses episódios de outras condições que podem exigir acompanhamento.
Por que reconhecer essa relação é importante
Falar sobre desrealização e despersonalização no contexto do autismo ajuda a ampliar o olhar para além dos sinais mais conhecidos do TEA. Isso favorece acolhimento, reduz interpretações equivocadas e pode orientar estratégias mais adequadas de suporte.
Com informação clara, escuta atenta e acompanhamento apropriado, fica mais fácil construir ambientes mais previsíveis, menos sobrecarregados e mais seguros para pessoas autistas.
Resumo: o autismo não “causa” desrealização de forma automática, mas algumas pessoas autistas podem vivenciar esse tipo de sensação, especialmente em contextos de estresse, ansiedade ou sobrecarga sensorial.
