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Desmistificando autismo: uma análise crítica do tratamento do transtorno do espectro autista no brasil

Entendendo o Transtorno do Espectro Autista (TEA)O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é uma condição comportamental complexa e multifatorial que afeta a comunicação e a interação social.
Por Saúde em dia
05/12/2025 06:23 - Atualizado há 2 horas




Entendendo o Transtorno do Espectro Autista (TEA)

O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é uma condição comportamental complexa e multifatorial que afeta a comunicação e a interação social. Na maioria das vezes, é diagnosticado na infância e persiste ao longo da vida adulta. No Brasil, o tratamento para o TEA é caracterizado por uma abordagem centrada na medicalização intensiva, terapias de alto custo e práticas sem comprovação científica concreta. Essa é a perspectiva de Arthur Ataíde, autista, ativista da neurodiversidade, estudante de medicina e vice-presidente da Associação Nacional para a Inclusão das Pessoas Autistas.

A Jornada de Arthur Ataíde

Arthur foi diagnosticado com autismo aos nove anos e desde então, enfrentou desafios como dificuldades de interação social, sensibilidade a estímulos e formas únicas de aprendizado. Dadas as suas experiências, passou a lutar pelos direitos das pessoas autistas desde os dez anos de idade. Hoje, além do ativismo, ele é responsável pela redação do projeto de lei do Protocolo Individualizado de Avaliação, aprovado no Estado de São Paulo, que assegura que estudantes autistas tenham direito à personalização das avaliações, respeitando suas necessidades específicas.

Crítica ao Modelo de Tratamento Dominante: A Análise do Comportamento Aplicada (ABA)

Uma das principais críticas de Arthur é direcionada à Análise do Comportamento Aplicada (ABA), que é o modelo terapêutico mais difundido no Brasil para o tratamento do TEA. Ele argumenta que o método ABA é um “modelo de mercado” e não de cuidado, com clínicas operando com estagiários, aplicando protocolos que têm origem na desumanização da pessoa autista.

Ele também aponta para o baixo rigor científico das pesquisas que sustentam o ABA, citando um parecer técnico do Hospital Sírio-Libanês, encomendado pelo Ministério da Saúde, que concluiu que os estudos são, em sua maioria, relatos de caso único e com alto nível de viés metodológico.

Práticas sem Evidência e a “Indústria do Autismo”

Arthur estende sua crítica ao que ele chama de “indústria do autismo”, um mercado alimentado por pânico moral, que explora as famílias com promessas de cura e intervenções milagrosas. Ele cita práticas perigosas e sem respaldo da ciência, como dióxido de cloro, ozonioterapia, transplantes de fezes e protocolos de desparasitação.

Ele também denuncia que essas práticas se sustentam na narrativa de que o autismo é uma doença a ser combatida, gerando lucros significativos para clínicas e influenciadores. “Quarenta horas de terapia por semana podem custar até R$ 50 mil por mês”, revela.

Defesa de Abordagens Terapêuticas Alternativas

Em contrapartida, Arthur defende abordagens terapêuticas como o DIR Floortime, o modelo SCERTS e a integração sensorial, que, segundo ele, são baseadas em formação qualificada e respeito à individualidade da criança. Ele afirma que essas abordagens veem a criança autista não como um transtorno, mas como alguém com direito a sonhos e relações.

A Inclusão Escolar e o Papel do Acompanhante Terapêutico

Arthur argumenta que o uso de acompanhantes terapêuticos (AT) nas escolas pode prejudicar o processo de inclusão. Ele vê a presença do AT como uma extensão da clínica ao ambiente escolar, prática que considera uma forma de exploração comercial do direito à educação.

Em vez disso, ele defende o apoio pedagógico e especializado, com profissionais treinados para oferecer mediação e garantir acessibilidade. Ele acredita que a terapia deve ser feita no contraturno, dentro das clínicas, não dentro das escolas.

A Necessidade de uma Escola Verdadeiramente Inclusiva

Para Arthur, uma escola verdadeiramente inclusiva é aquela que reconhece a pluralidade de corpos, mentes, religiões e culturas como uma riqueza. Ele defende que todos devem aprender juntos, com os recursos e liberdades necessárias para serem quem são.

Arthur vê a crescente judicialização em torno do TEA com preocupação. Ele acredita que, embora seja uma ferramenta legítima de acesso a direitos, tem sido apropriada por clínicas e advogados como meio de lucrar. Ele argumenta que a judicialização é essencial para o funcionamento do mercado baseado no ABA.

Chamada para uma Mudança de Paradigma

Arthur conclui com um apelo para uma mudança de paradigma: “A sociedade precisa entender que autismo não é uma doença. Não existe cura para o autismo.” Ele reforça que todas as pessoas autistas merecem ter sua voz ouvida, mesmo aquelas que não se comunicam por fala, e que autonomia não é incompatível com apoio.

Baseado em informações de fontes jornalísticas sobre autismo.


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