Introdução
O Transtorno do Espectro Autista (TEA) representa uma vasta gama de condições que impactam a comunicação social e os comportamentos de um indivíduo. Se você é pai, mãe ou cuidador de uma criança com autismo, é provável que esteja familiarizado com os desafios diários que isso pode representar. No entanto, é essencial lembrar que existem leis em vigor para proteger e promover os direitos do seu filho.
Este artigo tem como objetivo servir como um recurso abrangente, livre de jargões jurídicos, para ajudar você a entender e lutar pelos direitos do seu filho. A principal certeza que deve orientar seus esforços é que seu filho, como qualquer outra pessoa, tem direitos garantidos por lei. Esses direitos não são meros favores, mas conquistas legais que garantem tratamento adequado, inclusão e um certo padrão de vida.
Direito à Saúde
O direito à saúde é um dos princípios fundamentais reconhecidos pelas leis brasileiras para indivíduos com TEA. Isto significa que o tratamento integral é obrigatório e deve ser custeado pelos planos de saúde e pelo SUS, de acordo com as prescrições do médico que acompanha o paciente.
Se o especialista que acompanha o paciente com TEA prescrever terapias como ABA (Applied Behavior Analysis), Denver, terapia ocupacional, fonoaudiologia, entre outras, o plano de saúde ou o SUS são obrigados a custear integralmente essas terapias. A ‘Lista da ANS’ serve apenas como um guia mínimo, e a negação de qualquer tratamento com base na ausência deste na lista é considerada uma prática abusiva, conforme estabelecido pela lei 14.454/22.
Direito a Profissionais Qualificados e Medicamentos de Alto Custo
O paciente com TEA tem direito a terapeutas especializados, como aqueles com pós-graduação em ABA. Se não houver profissionais qualificados na rede de atendimento do plano, este deve custear uma clínica particular indicada pela família.
Além disso, se o médico prescrever medicamentos de alto custo, como o Canabidiol (CBD), os planos de saúde e o SUS são obrigados a fornecer esses medicamentos, conforme garantido por lei.
Apoio Financeiro
Cuidar de uma criança com autismo pode ter custos significativos. Por isso, a legislação prevê benefícios para ajudar a aliviar o orçamento das famílias. Por exemplo, crianças com TEA pertencentes a famílias de baixa renda têm direito a um salário mínimo mensal.
Despesas com medicamentos, terapias e alimentação especial podem ser deduzidas da renda calculada para a concessão do benefício, aumentando as chances de aprovação. Em muitos casos, é possível sacar o saldo total do FGTS para custear o tratamento, mesmo que o autismo não esteja listado explicitamente na Caixa. A Justiça tem demonstrado uma tendência favorável às famílias nestes casos.
Direitos na Educação
O direito à educação é fundamental para o desenvolvimento de qualquer criança, e os indivíduos com autismo não são exceção. A inclusão é obrigatória por lei, e nenhuma escola, pública ou privada, pode recusar a matrícula de um aluno devido ao seu diagnóstico de autismo.
Não existe um limite para o número de vagas inclusivas, e qualquer recusa é considerada um crime de discriminação. Se um médico prescrever um Acompanhante Especializado (AE) ou um Acompanhante Terapêutico (AT), a escola é obrigada a fornecer um, custeado pela própria escola, para apoiar as atividades pedagógicas e de vida diária do aluno.
Além disso, a escola deve fornecer materiais e avaliações adaptados, sem custos adicionais, de acordo com o Plano de Ensino Individualizado (PEI) do aluno.
Conquistas do Dia a Dia: Isenções e Prioridades
Existem também leis que visam tornar a rotina diária mais acessível para indivíduos com autismo. Essas leis incluem isenções de impostos para a compra de veículos e o direito à prioridade em filas, entre outras coisas.
Além disso, os indivíduos com autismo têm o direito de trabalhar e levar uma vida adulta plena, o que inclui o direito a acomodações razoáveis no local de trabalho.
Infelizmente, as negativas abusivas de planos de saúde, escolas ou órgãos públicos são comuns. Conhecer a lei é o primeiro passo, mas atuar com um advogado especializado em Direito da Saúde pode garantir um resultado rápido e efetivo.
Baseado em informações de fontes jornalísticas sobre autismo.