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O desafio das mães solo na criação de crianças com autismo: impactos financeiros e psicossociais

A Realidade das Mães Solo com Filhos Autistas A vida de uma mãe solo já é repleta de desafios, mas quando a criança tem Transtorno do Espectro Autista (TEA), a complexidade e o custo de criar um filho aumentam significativamente.
Por Saúde em dia
05/12/2025 07:07 - Atualizado há 2 horas




A Realidade das Mães Solo com Filhos Autistas

A vida de uma mãe solo já é repleta de desafios, mas quando a criança tem Transtorno do Espectro Autista (TEA), a complexidade e o custo de criar um filho aumentam significativamente. Esta é a realidade de Aline Passos, uma mãe solo de um filho autista, que enfrenta desafios diários, incluindo custos financeiros exorbitantes e estresse emocional.

Benjamin, o filho de Aline, é carinhoso, brincalhão e também autista. Ele tem necessidades especiais que requerem terapias, consultas médicas regulares, medicamentos, fraldas e alimentação especial, todas despesas que Aline deve arcar sozinha. Além disso, Benjamin tem o hábito de quebrar objetos durante crises, incluindo celulares e até mesmo uma televisão, aumentando ainda mais as despesas da família.

O Custo Financeiro de Criar um Filho com Autismo

Um estudo do Instituto PENSI e Fipe-USP revelou que famílias com filhos autistas de nível 3 gastam, em média, mais que o dobro que famílias típicas. O valor pode chegar a R$ 1.859 mensais per capita a mais. Se considerarmos uma família de cinco pessoas (pai, mãe e três filhos), os gastos mensais chegam a R$ 9.295 acima do que os de uma família típica.

No caso de Benjamin, além das terapias e consultas médicas, um fator que aumenta os gastos é a alimentação. Ele tem alergias a leite e ovo, além de intolerância ao glúten, o que significa que Aline precisa comprar alimentos especiais para ele, que geralmente são mais caros. Uma caixa de leite vegetal, por exemplo, custa R$ 22, enquanto um pacote de pão sem glúten com cinco fatias custa R$ 24.

Impacto Social e Psicológico

Além do impacto financeiro, mães solo de crianças autistas enfrentam um enorme impacto social e psicológico. Aline, por exemplo, precisou renunciar ao seu cargo de professora do ensino superior para cuidar de Benjamin. Sua rotina gira em torno das necessidades do filho, que exige atenção constante devido à sua condição.

De acordo com a psicóloga Mariana Sotero Bonnás, especializada no atendimento a famílias atípicas e autora do livro ‘Mães atípicas – A Maternidade Que Ninguém Vê’, cuidar de uma criança com desenvolvimento atípico é muito mais exaustivo. As mães solo enfrentam uma dupla penalização, pois muitas vezes não conseguem trabalhar e dependem do governo, ou trabalham menos para conseguir cuidar do filho, impactando a renda da casa.

O Papel da Sociedade e do Estado

Todas as mães solo de crianças autistas enfrentam dificuldades para garantir direitos básicos para seus filhos. Muitas vezes, elas precisam recorrer à Justiça para conseguir cobertura adequada para as terapias de seus filhos, ou para garantir a pensão alimentícia dos pais das crianças.

Essas dificuldades destacam a necessidade de a sociedade e o Estado desempenharem um papel mais ativo no apoio a essas mães. Isso inclui garantir a cobertura completa de terapias e medicamentos necessários para crianças autistas, oferecer subsídios para ajudar a cobrir os custos adicionais da criação de uma criança autista, e fornecer apoio emocional e psicológico para as mães.

Conclusão

Mães solo de crianças autistas enfrentam uma série de desafios que vão além da maternidade típica, incluindo custos financeiros significativos e estresse emocional e social. É crucial que a sociedade e o Estado reconheçam e respondam a esses desafios, fornecendo o apoio e recursos necessários para essas mães e suas crianças.

Baseado em informações de fontes jornalísticas sobre autismo.


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