Uma Noite de Abertura Inspiradora
O Seminário Municipal sobre Autismo, realizado na cidade de Forquilhinha, Sul do Brasil, teve uma abertura emocionante. Marcos Petry, um palestrante, músico, produtor e escritor de 32 anos, abriu o evento entoando canções em cinco idiomas diferentes, incluindo italiano, sueco e inglês. A sua performance foi um reflexo de superação, resiliência e determinação, e serviu como uma inspiração para os mais de 250 participantes presentes no Centro Múltiplo Uso.
O público era majoritariamente feminino, com uma presença significativa de famílias atípicas, mães, pais e filhos, além de autoridades políticas estaduais e locais. A noite foi marcada pelo tema ‘Criando pontes entre escola e família’, estabelecendo o tom para o seminário que visava fomentar políticas públicas efetivas para a inclusão social e educacional de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA).
Uma Iniciativa da Assembleia Legislativa
Este seminário importante foi liderado pela Comissão dos Direitos da Pessoa com Deficiência da Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc), em parceria com a Escola do Legislativo. A iniciativa foi proposta pelo presidente do Parlamento estadual, deputado Julio Garcia, com o objetivo de impulsionar políticas públicas que possam impactar positivamente a vida das pessoas com TEA.
O deputado Rodrigo Minotto, representando o presidente Julio Garcia e o Parlamento, salientou a importância do debate como elemento fundamental para a construção de políticas públicas cada vez mais eficazes para a população com TEA. Segundo ele, o Parlamento tem o papel de liderar as lutas coletivas pela inclusão e respeito às pessoas com TEA.
Autismo em Santa Catarina: Um Olhar para os Dados
Segundo os dados de 2025 sobre o autismo em Santa Catarina, 91,6 mil pessoas foram diagnosticadas com TEA, representando 1,2% da população catarinense. Essas informações, coletadas pelo IBGE no Censo de 2022, colocam Santa Catarina na nona posição no Brasil em relação à proporção de pessoas com autismo.
Esses dados são vitais para entender a magnitude do desafio e a necessidade de políticas públicas efetivas. Além disso, Santa Catarina está implementando o seu primeiro Censo do Transtorno do Espectro Autista, uma iniciativa pioneira que visa mapear as pessoas com autismo e orientar a criação de políticas públicas mais eficazes em saúde, educação e assistência social.
Primeiro Censo Estadual Sobre TEA
Este projeto inovador, lançado pela Assembleia Legislativa de Santa Catarina, utilizará uma plataforma digital para coletar dados de forma centralizada. Ele será coordenado pelas universidades locais, com o objetivo de construir uma rede de atenção e cuidados para a população autista.
David Crispim, coordenador da Comissão dos Direitos da Pessoa com Deficiência da Alesc, confirmou a implementação do Censo e destacou sua importância para o desenvolvimento de mais políticas públicas efetivas para esta população que vem crescendo consideravelmente no Estado.
Desafios da Inclusão Social e Educacional
Embora os esforços estejam sendo feitos para desenvolver políticas públicas eficazes, ainda existem desafios significativos. Um deles é a fila de espera para atendimento. Dirceu Eyng, presidente da Associação Forquilhinhense de Apoio aos Autistas (AFAA), compartilhou que a entidade está atualmente atendendo 68 crianças com TEA na cidade, mas ainda há uma fila de espera de 82 crianças. Ele ressaltou a importância de eventos como este seminário para dar visibilidade a esses desafios e gerar soluções eficazes.
Outro desafio é o diálogo entre a escola e a família. Marcos Petry, na sua apresentação, enfatizou a importância deste diálogo para promover o entendimento sobre o autismo e dar visibilidade a este tema. Segundo ele, a deficiência não impõe tantas limitações quanto a falta de oportunidades.
Programação do Seminário
O seminário continuou com palestras sobre diversos tópicos relacionados ao TEA, incluindo educação inclusiva, seletividade alimentar, comunicação alternativa, medicamentos e direitos. Estes tópicos foram escolhidos para ampliar o conhecimento e fornecer estratégias para profissionais de saúde, educação e pais.
As palestras abordaram também os direitos das pessoas com TEA na escola e na saúde, com apresentações de advogados Franciele Cassiana Augusto e Leandro Felisberto. A programação do seminário incluiu ainda mais quatro palestras em sua agenda de debates para o dia seguinte.
Eventos como este seminário são de grande importância para avançar na inclusão social e educacional de pessoas com TEA. Eles proporcionam um espaço para discussão, aprendizado e troca de experiências, tudo isso voltado para a criação de uma sociedade mais inclusiva e respeitosa para todos.
Baseado em informações de fontes jornalísticas sobre autismo.