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Rejeitando a estigmatização do autismo através de crimes de ódio: um olhar sobre os equívocos e os impactos

Introdução O tópico do autismo tem sido objeto de vários debates, tanto médicos como sociais.
Por Saúde em dia
15/12/2025 18:13 - Atualizado há 2 horas




Introdução

O tópico do autismo tem sido objeto de vários debates, tanto médicos como sociais. No entanto, a recente tentativa de associar o Transtorno do Espectro Autista (TEA) a comportamentos criminosos tem despertado vital preocupação entre especialistas e a comunidade autista.

Examinar o caso recente de agressão ocorrido em Natal, no Rio Grande do Norte, onde o agressor tentou usar o autismo como pretexto para o crime, é importante para se entender os malefícios dessa abordagem errônea. Usar o autismo como uma desculpa para cometer um crime de ódio é não apenas um ato de oportunismo, mas também uma manifestação grotesca de desinformação.

Autismo e Violência: Desvendando os mitos

Primeiramente, é crucial esclarecer que a ciência é clara: o autismo não está ligado a comportamentos violentos, premeditados ou intencionais. A comunidade científica, incluindo a Associação Nacional para Inclusão das Pessoas Autistas (Autistas Brasil), rejeita qualquer tentativa de associar o TEA a episódios de violência deliberada.

Os indivíduos com autismo podem apresentar reações intensas, mas essas estão relacionadas à sobrecarga sensorial, frustração ou dificuldades de comunicação, não à violência planejada contra terceiros. As pessoas autistas são mais frequentemente vítimas de violência, não seus autores.

São conhecidos os casos de abusos, exclusões, maus tratos e negligência que sofrem. Portanto, colocar a marca da violência nas mãos da vítima histórica é inverter papéis e alimentar estigmas que já custam caro demais para serem desconstruídos.

A Agressão em Natal: Autismo ou Brutalidade?

O caso em discussão não diz respeito ao autismo, mas sim a um crime de feminicídio e à brutalidade de um homem que deve ser responsabilizado até o limite da lei. A tentativa de usar uma condição neurológica legítima e digna para encobrir a barbárie é inaceitável.

O agressor, Igor Cabral, foi preso em Natal por tentativa de feminicídio após atacar a namorada com mais de 60 socos no rosto. Ele alegou ser autista e que teria cometido o crime porque estaria em surto por causa de uma crise de claustrofobia.

Porém, a defesa posteriormente argumentou que ele tem um filho autista, vivendo atualmente com a mãe. Esta alegação foi fortemente refutada por especialistas e pela comunidade autista, que enfatizaram que o autismo não é, e nunca foi, uma desculpa para a violência.

Comportamentos Agressivos em Autistas e a Desregulação Sensorial

É importante entender que qualquer comportamento agressivo em autistas é mais frequentemente dirigido a si mesmos durante momentos de desregulação sensorial ou emocional. Embora o comportamento direcionado a outros possa ocorrer, geralmente é como resposta à sobrecarga sensorial, frustração ou dificuldade de comunicação. A prevalência de autoagressão é maior. Os estudos indicam que 30% a 50% das pessoas com TEA apresentam comportamentos autoagressivos em algum momento, enquanto a agressividade a outros é bem menos comum.

A alegada ‘crise de claustrofobia’ do agressor à namorada no elevador, segundo especialistas, pode estar clínica e cientificamente coerente com a desregulação sensorial. No entanto, isso não justifica a brutalidade do ataque. Cada caso deve ser analisado individualmente e, neste caso particular, o cenário, a coordenação e as circunstâncias tornam a justificativa altamente improvável.

Consequências Judiciais de Usar o Autismo como Pretexto

Usar uma condição como o autismo para tentar justificar um ato de agressão pode resultar em implicações legais. Se uma pessoa se vale de um diagnóstico, ela deve comprovar por meio de laudo médico. Portanto, o agressor precisaria apresentar esse laudo e provar que a agressão tem correlação direta com a condição.

Não se pode vincular uma condição a um ato criminoso sem entender todo o contexto clínico, o que certamente será feito dentro do processo criminal. Se for comprovado que essa condição existe e teve contribuição para o ocorrido, pode haver uma atenuante. No entanto, se for comprovado que é mentira e que o agressor fez uso disso para tentar se safar, isso pode agravar a situação, no sentido de demonstrar má-fé processual e acabar contribuindo para uma eventual condenação.

Conclusão

É essencial que a sociedade entenda que a desinformação sobre o autismo é um golpe direto contra milhões de pessoas que só querem viver com dignidade. A comunidade autista trabalha incansavelmente para desconstruir estigmas e viver de forma inclusiva e respeitosa. Portanto, é de suma importância que rejeitemos veementemente qualquer tentativa de estigmatizar ainda mais essas pessoas, especialmente através da associação com crimes violentos.

Baseado em informações de fontes jornalísticas sobre autismo.


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