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Primeiros sinais de autismo em bebês e crianças pequenas, por idade

Artigo Atualizado em 🕒 6 min de leitura

Visão geral

Os primeiros sinais de autismo costumam aparecer entre o primeiro e o segundo ano de vida e envolvem principalmente a comunicação e a interação: o bebê responde pouco ao próprio nome, faz poucos gestos, quase não aponta para mostrar coisas e pouco divide a atenção com o adulto. Nenhum sinal sozinho confirma o diagnóstico, mas qualquer preocupação merece conversa com o pediatra, e a perda de habilidades que a criança já tinha deve ser avaliada logo, em qualquer idade.

O desenvolvimento tem variação, e isso é normal

Cada criança tem seu ritmo. Os marcos do desenvolvimento, como sorrir, balbuciar, andar e falar as primeiras palavras, indicam o que a maioria das crianças faz em certa idade, não uma data exata. As listas de marcos dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC), por exemplo, trazem o que 75% ou mais das crianças conseguem fazer em cada idade. Assim, quando um marco não aparece, já é motivo para conversar com um profissional, sem esperar.

No Brasil, a vigilância do desenvolvimento é feita nas consultas de puericultura, com a Caderneta da Criança. Segundo a Linha de Cuidado para Pessoas com TEA do Ministério da Saúde (2025), os marcos devem ser registrados e acompanhados em todas as consultas na Atenção Primária.

Sinais de alerta por idade

A tabela reúne sinais descritos pelo CDC e pela Linha de Cuidado do Ministério da Saúde. Use como guia de observação, não como teste.

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Idade aproximadaO que pode chamar a atenção
0 a 6 mesesPouco interesse pelo rosto humano; olhar pouco sustentado; demora no sorriso social; não busca o cuidador com o olhar.
Por volta dos 9 mesesNão responde quando é chamado pelo nome; mostra poucas expressões faciais, como alegria, tristeza ou surpresa.
Por volta dos 12 mesesNão participa de brincadeiras de interação simples, como bater palminhas; usa poucos ou nenhum gesto, como dar tchau.
Por volta dos 15 mesesNão mostra objetos de que gosta para dividir o interesse com o adulto.
Por volta dos 18 mesesNão aponta para mostrar algo interessante; não segue o olhar ou o dedo do adulto; ainda sem palavras ou com muito poucas.
Por volta dos 24 mesesNão percebe quando outra pessoa está machucada ou triste; repete falas fora de contexto em vez de usar palavras para pedir; pouca brincadeira de faz de conta.
Por volta dos 3 anosNão se interessa por outras crianças ou só observa de longe; dificuldade em brincar junto.

Ao longo dessas fases também podem aparecer comportamentos repetitivos e diferenças sensoriais: enfileirar objetos e ficar muito incomodado quando a ordem muda, brincar sempre do mesmo jeito, prestar atenção a partes dos objetos (como as rodinhas do carrinho), balançar o corpo, abanar as mãos, girar, reagir de forma intensa a sons, cheiros, sabores ou texturas e ficar muito perturbado com pequenas mudanças na rotina.

Perda de habilidades: o sinal que não pode esperar

Algumas crianças desenvolvem palavras, gestos ou brincadeiras e depois deixam de usá-los. Essa perda, chamada de regressão, é um sinal importante para qualquer condição do desenvolvimento, não só para o autismo. O CDC orienta agir cedo sempre que a criança perder habilidades que já tinha.

Se você perceber que seu filho parou de falar palavras que usava, deixou de responder ao nome ou de brincar como antes, não espere a próxima consulta de rotina: procure a Unidade Básica de Saúde ou o pediatra e conte exatamente o que mudou e quando.

Sinais de comunicação, sociais, sensoriais e repetitivos

Para entender melhor, os sinais costumam ser agrupados em quatro áreas:

  • Comunicação: atraso na fala, pouco uso de gestos, repetição de palavras ou frases (ecolalia), dificuldade em usar a linguagem para pedir ou comentar.
  • Interação social: pouco contato visual, pouca resposta ao nome, pouca atenção compartilhada (olhar para o adulto e para o objeto ao mesmo tempo), pouco interesse em brincadeiras com outras pessoas.
  • Sensorial: incômodo forte com barulho, roupas ou alimentos de certas texturas, ou, ao contrário, busca intensa por sensações, como girar ou cheirar objetos.
  • Comportamentos repetitivos: movimentos repetidos, rotinas rígidas, interesse muito intenso por um tema ou objeto.

Uma criança pode ter alguns desses comportamentos e não ser autista. Outra pode ser autista e ter poucos deles. Por isso a avaliação olha o conjunto, a frequência e o impacto no dia a dia.

A triagem nas consultas

Além da observação, existe a triagem com questionário. No Brasil, a Caderneta da Criança e o prontuário eletrônico do SUS (e-SUS APS) incluem o M-CHAT-R/F, um questionário respondido pelos pais e validado para crianças de 16 a 30 meses. A Linha de Cuidado recomenda a triagem formal de todas as crianças na consulta de 18 meses, mesmo sem suspeita, e antecipar para 16 meses quando houver preocupação. A Academia Americana de Pediatria recomenda a triagem específica para autismo aos 18 e aos 24 meses.

Desde 2017, o Estatuto da Criança e do Adolescente obriga a aplicação, nos primeiros 18 meses de vida, de um protocolo para detectar riscos ao desenvolvimento psíquico nas consultas pediátricas. Pergunte ao profissional se a triagem foi feita e qual foi o resultado. Lembre: triagem não é diagnóstico.

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Quando falar com o pediatra e o que levar

Fale com o pediatra, o médico de família ou a equipe da UBS sempre que tiver uma dúvida, mesmo que pareça pequena. Você conhece seu filho melhor do que ninguém. Para aproveitar bem a consulta:

  1. Leve a Caderneta da Criança com os marcos já anotados.
  2. Escreva exemplos concretos: "não olha quando chamo pelo nome, mesmo de perto", "parou de dar tchau há dois meses".
  3. Se possível, grave vídeos curtos de situações do dia a dia, como brincadeiras, refeições e momentos de irritação.
  4. Anote sono, alimentação e crises. O diário de comportamento e sono ajuda nessa organização.
  5. Leve relatos da creche ou da escola, se a criança frequentar.
  6. Pergunte sobre audição: dificuldades de resposta ao nome e de fala também podem ter causa auditiva, e o profissional pode indicar uma avaliação da audição.

Não espere o laudo para estimular

Esse é um dos pontos mais importantes das orientações atuais. A Linha de Cuidado do Ministério da Saúde diz que, quando algum marco não aparece, a estimulação deve começar imediatamente na Atenção Primária, independentemente da confirmação do diagnóstico. A Academia Americana de Pediatria recomenda o mesmo: encaminhar para intervenção assim que um atraso for identificado, sem aguardar a avaliação de autismo.

Em casa, pequenas atitudes ajudam:

  • brinque no chão, na altura da criança, e siga o interesse dela;
  • nomeie objetos e ações com frases curtas;
  • espere a criança responder, com olhar, gesto, som ou palavra;
  • use rotinas previsíveis, com apoio de imagens. A rotina visual pode ser útil a partir de cerca de 2 anos.

Sem comparações e sem culpados

Comparar com irmãos, primos ou filhos de amigos costuma gerar ansiedade e não ajuda a entender a criança. Também não existe culpa: o autismo não é causado pela forma como os pais criam a criança nem pela falta de carinho. As causas envolvem principalmente fatores do desenvolvimento do cérebro, com forte participação genética, e ainda são estudadas.

Buscar avaliação cedo não é rotular a criança. É garantir que ela receba apoio no momento em que esse apoio faz mais diferença. Se o resultado for outro diagnóstico, ou nenhum, o acompanhamento terá valido do mesmo jeito.

Fontes